Acabou agora pouco na MTV, o programa “Debate MTV” com o tema: “Você acha que DJ precisa de um diploma?”.

O assunto foi escolhido devido  ao Projeto de Lei nº 740, que está no senado desde dezembro de 2007. De autoria do senador Romeu Tuma (PTB-SP), o projeto é composto por dezenas de artigos e alguns deles, ou melhor, a grande parte têm motivado controvérsia entre os DJs profissionais.

Na mesa de debate estavam, além do apresentador (Lobão), os DJs Gui Borato, Anderson Noise, Badinha, Bunnys, o produtor musical Dudu Marote e o Assessor de Imprensa Tiago Candiani.

A grande maioria dos participantes da mesa, inclusive o apresentador, se mostraram claramente contra essa lei absurda, ainda mais por ser de autoria de um cidadão que não entende absolutamente nada do assunto e que fez parte de órgãos de repressão durante a Ditadura Militar.

O senador fez uma pequena participação por telefone e disse, que caso a lei seja aprovada, a exigência do diploma será apenas para os DJs que vierem a seguir a profissão após a lei e também se propôs a discutir com mais representantes da categoria a formatação do projeto de lei.

Infelizmente não havia nenhum representante dos DJs de Hip-Hop na mesa, mas se for feita uma reunião no senado federal com os DJs, é muito importante que algum DJ representativo do Hip-Hop esteja presente, pois o DJ da nossa Cultura é o mais técnico entre os DJs de todos os estilos. Sem contar as variações, pois temos no Hip-Hop DJs de clubes, DJs de performance, DJs de grupos, DJs para B.boys e nem todos dominam todas as técnicas necessárias, portanto se acontecer uma discussão acerca dessa lei, é preciso colocar em discussão todas essas possibilidades.

Concordo com a regulamentação e o reconhecimento profissional da categoria, mas exigir diploma é demais, loucura, coisa de maluco mesmo…

Com os adventos da tecnologia atual, tem muito DJ aí que sequer tem vinil em casa ou até mesmo que nunca manipulou um vinil. É preciso algum tipo de controle, para que esses pseudo-DJs que surgem a cada dia, com seus CDJs, seratos e similares não se espalhem com tanta facilidade.

Claro que essa opinião acima é pensando nos DJs do Hip-Hop, pois é um estilo com diversas técnicas e desdobramentos, como citei anteriormente. Os critérios precisam ser estabelecidos por DJs de reconhecida representatividade, não só para evitar a proliferação de “falsos DJs”, mas para que a categoria seja valorizada e respeitada como qualquer outra profissão.

Se formos analisar as diversas possibilidades para a exigência de um diploma ou DRT para DJ, vamos bater de frente com diversas situações que vão demonstrar o quanto essa idéia é absurda, por exemplo:

– Como um DJ que faz festas apenas na comunidade, casamentos ou festas de aniversário e que não é reconhecido, vai conseguir comprovar, depois de aprovada a lei, que ele já é DJ há mais de 10 anos? Ele vai precisar fazer uma prova ou terá que recolher depoimentos e fotos dos seus trabalhos? Imagine quantos DJs existem nessa situação;
– Quem vai definir os critérios para avaliar tantos e tão diferenciados DJs, dos mais diversos estilos musicais?;
– Em que tipo de equipamento o DJ será avaliado, em todos, só no serato, no CDJ ou nos toca-discos com vinis?;

Essas são apenas algumas questões a serem pensadas. A lei ainda não foi aprovada, mas é aconselhável que os DJs do Hip-Hop acompanhem e se informem sobre o assunto, pois muitos bons profissionais podem ser prejudicados pela estupidez de um engravatado.

Abaixo, alguns itens da lei para que possam refletir sobre o tema:

– O exercício da atividade de DJ será condicionado a um registro prévio na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho;
– Será determinado ao profissional a apresentação de diploma de curso profissionalizante reconhecido pelo MEC ou pelo sindicato da categoria, além de um atestado de capacitação profissional fornecido pelo sindicato;
– Será prevista a participação de 70% de DJs nacionais quando um evento escalar um DJ estrangeiro.

Vejam o pdf do projeto
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